Continuaremos firmes. Nada apagará nossa luta!
24/01/2019 | 05h:25

 

Por Adailton Melo – presidente do Sintape

       Passadas as eleições mais polarizadas da história do Brasil, com a vitória do projeto mais conservador, que chegou ao poder sem esconder o discurso de que "trabalhador vai ter que escolher entre ter direito ou emprego" e que as "leis trabalhistas têm que beirar à informalidade", nossa preocupação em relação ao futuro da classe trabalhadora acende o alerta para a necessidade de nos mantermos firmes na luta e unidos ainda mais contra retrocessos que possam vir com a aprovação de mais leis que fragilizem os direitos dos que mais precisam deles: o trabalhador.

      A extinção do Ministério do Trabalho, por meio da Medida Provisória 870/2019, editada pelo presidente Jair Bolsonaro, representa uma derrota para a classe trabalhadora brasileira. Se lutar por direitos tão difíceis de serem concedidos já era complicado, sem o MT fica quase inviável. A intenção de enfraquecer ações trabalhistas foi, infelizmente, alcançada. Se o trabalhador quiser reclamar por seus direitos, não contará mais com o apoio de um órgão criado para defendê-lo. Enfrentar os empregadores, sejam eles públicos ou privados, só terá algum efeito com a força da coletividade. Mesmo assim, essa será uma tarefa difícil diante do novo cenário de leis trabalhistas aprovadas no governo anterior e que permanecem em destruição pelo atual.

     O que nos resta fazer? Desistir? Nunca! A luta é algo que vamos manter forte diante das imposições contra a classe trabalhadora. O Sintape não se entregará. Se manterá firme no enfrentamento aos que insistirem nos desmontes dos direitos daqueles que integram sua base. Seja em nível estadual ou federal, qualquer medida que venha desvalorizar sua base será combatida com protestos e ações judiciais. Garantir a estabilidade, a dignidade, salários justos e a valorização do trabalho da categoria será palavra de ordem da entidade sindical.

     Mas a luta precisa ser de todos. Do coletivo. Em 2019, o sindicato vai fortalecer o movimento. O momento exige. Mas exige também a participação de todos os trabalhadores. Sindicalizados ou não, todos têm a missão de darem as mãos com o propósito de assegurar suas conquistas: as futuras e as já alcançadas com tanto suor. Todos precisam ter em mente que só unindo forças poderão vencer de alguma forma. É hora de união. Tempo de perceber a importância do sindicato na defesa de seus direitos. Isso implica também na necessidade de ampliar a filiação. Com tudo que vem atingindo a classe trabalhadora, resta às entidades de classe a missão de partir para o combate.

     Esta será nossa atribuição enquanto dirigentes sindicais. Lutar pelo coletivo, independente das diferenças políticas e ideológicas. Continuar cumprindo o papel de um sindicato pautado no dever de defender sua base. Contamos com a força e vontade de todos para enfrentar o que nos aguarda. É preciso ficarmos vigilantes para que as agendas de ataque aos trabalhadores não continue sendo efetivadas, a exemplo da reforma trabalhista que veio com o discurso mentiroso de modernização das leis trabalhistas, e na verdade só serviu para retirar direitos e precarizar ainda mais as relações de trabalho.

     Outro ponto que está na agenda do presidente é a reforma da previdência, que levando em conta as divulgações da imprensa, vai atingir em cheio os trabalhadores. Muitos não conseguirão se aposentar. A tentativa de enganar os trabalhadores com o discurso de que a reforma é para "acabar com privilégios” não convence. Por esses motivos, se faz necessário termos unidade, sermos cada vez mais combativos e ampliarmos o diálogo com os parceiros que se identificam com as nossas pautas e bandeiras de luta, pois independente do governo escolhido pelo processo democrático, o sindicato vai estar sempre na primeira fileira para defender os trabalhadores. Essa é nossa missão e temos orgulho de cumpri-la. Nenhum desmando vai acontecer sem que tenhamos lutado.

Avante, companheiros!

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